Bingo!

4 de outubro de 2014 , In: Leitura, Para Filhos , With: No Comments
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Já tinha duas semanas que eu não escrevia para o Ciranda Contada. Confesso que eu fiquei com saudade! Quando a correria do dia a dia se junta com filho doente, dá nisso… Não sobra espaço para nada mais na cabeça, muito menos tempo para escrever. Mas quando a saudade se junta com o pedido desse querido blog, dá nisso… O texto sai em meia hora :).
Recepção de hospital, horas de espera. Lugar frio, sem nenhuma salinha de brinquedos ou um mísero monitor de TV com alguma programação infantil para entreter a criançada. O que sobra como alívio para o tédio?… O celular! Saaanto celular!
Filmes, jogos, fotos… E um grito:
“- Mamãe, por que você está beijando o papai na boca??”
Hein?!
“- por que você está com esse barrigão, beijando o papai?”
(*álbum de fotos: sete meses de gravidez)
Aquela pergunta assim, feita de maneira tão inesperada, me fez pensar num tantão de coisas. E uma palavra veio certeira: “Bingo!”
Eles entenderam que o pai e a mãe são patrimônio deles, independente de qualquer coisa e acima de tudo.
Fui tomada por um sentimento (imodesto, confesso) de alívio com orgulho. Alívio por saber que a segurança emocional deles quanto à afirmação do pai estava resolvida. Orgulho, por colher os méritos de um caminho árduo. Valeu a pena, sempre valerá, especialmente para eles.
Separação nunca é fácil, ainda que a gente tenha tomado a iniciativa. Com filhos, então, é mais difícil ainda. A separação, inevitavelmente, vem acompanhada de mágoas, ressentimentos, incertezas… E tudo que a gente quer é que isso acabe logo. Mas o “adeus”, não será possível. Felizmente.
Não é fácil administrar e passar por cima desses sentimentos, mas é preciso. Porque, independente, do final do casamento, a gente continua sendo pai e mãe (dos mesmos filhos, vale lembrar! rs). Acima de qualquer mágoa, eu só conseguia pensar na importância que os meus pais tiveram (e têm) na minha vida. E entendi que ter um pai presente é tão importante quanto ter uma mãe presente.
Ainda com nó na garganta e o coração fraco, chamei o meu ex-marido para uma conversa. Uma semana após a separação, saímos para jantar e eu disse as palavras mais sinceras e mais duras que já disse em toda a minha vida (e sei que nada que sairá da minha boca até o final dos meus dias terá tanto sentimento quanto aquelas palavras que falei durante o nosso jantar):
“- sei eu que não fui uma esposa muito exigente, mas não espere esse comportamento meu como mãe. Eu não vou poupar você de nada. Eu vou extrair de você até a última gota. Eu vou exigir que você seja o melhor pai que eu sei que você consegue ser para os nossos filhos. Eles merecem isso. E você também merece”.
Nós dois alí, assustados e chorando, selamos um acordo para toda vida. Foi o acordo mais difícil e o mais gratificante que já praticamos.
A partir daí, nos empenhamos em passar para as crianças a estabilidade emocional que elas precisavam, a segurança do amor incondicional e o laço forte que sempre nos unirá.
Nunca privei o contato das crianças com o pai, nunca quis assumir nada sozinha; sempre estimulei o convívio diário e a relação de amor e confiança com o pai, sempre falei o quanto o pai deles é legal e se importa com eles.
Sei que adotei um postura diferente da maioria das mães que se separaram. Usar os filhos como moeda de troca, restringir o contato, desqualificar o ex, isentar o pai das obrigações, distanciá-lo da vida dos filhos são, infelizmente, posturas muito comuns; mas são extremamente egoístas e nocivas às crianças. O casamento foi desfeito, mas a relação de pai e mãe deve se manter intacta.
É difícil, como eu sei. Os desentendimentos podem parecer maiores que a boa vontade em fazer a coisa respeitosa. Às vezes dá mesmo vontade de sumir no mundo, levando embora nossos filhos. Muitas vezes é difícil segurar a língua na presença deles. Sei como é complicado parecer que está dependendo do ex-marido para acompanhar o filho no evento da escola. Sei que dá vontade de encher o peito de orgulho e dizer que a gente não precisa do ex pra nada. Ok, é a mais pura verdade. Mas, acontece, que os nossos filhos pre-ci-sam!
Por tanto, é melhor encher o peito de amor e encarar o desafio. Favorecer e estimular uma relação saudável. Delegar responsabilidades ao pai, exigir a presença, passar amor, mostrar segurança. É tudo que os nossos filhos precisam.
Com o tempo, a pergunta chorosa “mamãe, por que o papai não está aqui agora?”, será substituída por “mamãe, por que você está beijando o papai?”. É quando a certeza vence a insegurança. É quando a relação de pai e filho é mais forte que qualquer papel assinado. É quando não precisa estar casado para cumprir a função. É quando eles entendem que sempre seremos para eles a mesma coisa: pai e mãe. É quando a relação fica imutável. É quando ela vira um patrimônio emocional. Bingo!
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Nascida em Itabuna, signo de Peixes. Formada em Relações Públicas, mas Educadora de construção e coração. Amo minha família e minha ocupação favorita é SER MÃE. Amo os livros! Sonho em ter uma Livraria ou uma ONG para animais abandonados. Cheia de ideias, criatividade não me falta, sou exagerada, falo muito. Faço meditação para conversar com Deus!

 

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